EXOTERICA-MENTE
Há qualquer coisa de esfinge em
tudo isto...
Se espera com angústia que dói
e
se finge a sobrevivência temporal
desta
encarnação
jogando
a roleta das personificações elementares
pois
tarda
o
apóstolo da luminescência,
aquele
que é também o portador
das
divinas vibrações,
o
oculto
o
encoberto
o
envolvido
o
silencioso
o
secreto.
Só os
destruidores-de-barreiras saberão
a
hora cósmica da sua chegada;
eles
estarão à espera, protegidos
de
força psíquica, a única que suporta a
irradiação
do sagrado.
Virá carregado de Ambrósia e sei
que
muito poucos dela comerão.
Após o banquete não regressará
só.
ORAÇÃO BUCÓLICA
Possuir
as
águas dos regatos,
as
flores dos campos...
sublimar a todos os céus
uma oração bucólica.
Saborear
incensos e cheiros silvestres,
a
luz do sol namorando a manhã,
o
gnomo do bosque a sorrir só para mim...
sublimar a todos os céus
uma oração bucólica.
Acariciar
os
frutos das árvores de ninguém,
a
lã das ovelhas de todos os rebanhos do Homem,
as
penas dos pássaros que sabem de alguma Liberdade...
sublimar a todos os céus
uma oração bucólica.
Quedar-nos-emos
ao
bucolismo do mundo.
Queremos reencarnar na
matéria desta oração:
no
possuir, no saborear, no acariciar.
PERFUME
Vagueio
clandestino
pelas
sombras
do
desejo
em
busca
da
Última-barreira
que
está algures
para
além
dos
precipícios olfactivos da Rosa.
Descanso.
Sento-me em cima
da
felicidade
de
um pássaro bizarro;
estou
alto e tenho medo,
medo
de não permanecer
eterna-mente
alto.
Descarrego do olhar
a
luz de todas as manhãs do mundo.
Encosto a Alma
à
cor azul do céu e do mar;
fecho
sono-lenta-mente os olhos...
actuam
em mim,
como
que por encanto,
mil
sentidos virgens.
Consigo cheirar
o
perfume intenso,
orgástico
e arrebatador
da
Rosa-Esotérica.
Sei agora
que
estou perto da
Última-Barreira.